Quando a medicina exagera

No final do século passado, hospitais da Coreia do Sul passaram a oferecer ultrassom da tiróide nos exames de rotina. Menos de duas décadas depois, os diagnósticos de câncer na tiróide tinham aumentado 15 vezes.

Esse tipo de tumor virou o mais comum do país, com cerca de 40 mil pessoas diagnosticadas. A maior parte delas se submeteu a tratamento.

Muitas tiveram a tiróide retirada e passaram a ter de tomar hormônio para o resto da vida. Algumas tiveram sequelas como paralisia das cordas vocais.

No fim, a surpresa: apesar da alta de diagnósticos e de tratamento, a mortalidade por câncer de tiróide continuou praticamente inalterada.

E mais: em 1947 um estudo já mostrava um número supreendentemente alto de câncer de tiróide em autópsias de pessoas que tinham morrido por outro motivo.

Segundo esse estudo, um terço das pessoas desenvolve algum tipo de tumor na tiróide sem que isso cause qualquer problema.

Neste episódio de Escafandro, falamos sobre casos como esse. Quando a medicina exagera a dose e pode causar mais danos do que benefícios.

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– Entrevistados do episódio:

Jean-Claude Bernardet

Cineasta, crítico de cinema, ator e escritor.

José Carlos Campos Velho

Médico geriatra, editor do site Slow Medicine Brasil e representante do movimento Slow Medicine.

Olavo Amaral

Professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, autor do “Dicionário de Línguas Imaginárias” (Alfaguara).

Roni Fernandes

Médico urologista, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Fernanda de Carvalho

Diretora de Comunicação do Instituto Lado a Lado pela vida.

– Mergulhe mais fundo

O Corpo Crítico (revista Piauí)

Novembro Cinza

– Ficha técnica:

Produção, apresentação e edição: Tomás Chiaverini

Trilha sonora original: Paulo Gama

Mixagem: Vitor Coroa

2 comments on “Quando a medicina exagera

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